E quando parar de dar certo?

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Todo início é lindo. Como quem olha pela primeira vez o pôr-do-sol pela janela do apartamento que acabou de comprar. Mas  a insegurança do futuro, para quem já passou por isso, é inevitável. E as vezes, na maioria delas, deixamos de tentar, por fraqueza, pelo medo de arriscar.

  • E quando a gente se acomodar? E quando a promessa de que nunca brigaríamos se romper?
  • E quando te olhar não me fizer sentir mais aquela empolgação? E inclusive, às vezes, chegue a irritar?
  • E quando eu conhecer todos teus defeitos? E quando eu souber todas tuas verdades?
  • E quando o ar deixe de ser leve e fique pesado? E quando a nossa música pare de tocar?
  • E quando as palavras bonitas deixem de ser ditas com freqüência? E quando a gente achar que a grama do vizinho é mais verde?
  • E quando a gente canse do jeito de dormir? De sempre tomar o mesmo café-da-manhã?

Nos reinventaremos.

Trocaremos a cor, o perfume, a camisa velha e o corte de cabelo. Trocaremos o nosso lugar favorito pra jantar, o dia do cinema, a nossa bebida favorita e as músicas do carro.

Mudaremos as palavras, os estilos de presentes, os apelidos. Inventaremos novos beijos, novas palavras, novas brincadeiras e novos planos.

Te lembrarei dos bons momentos, do primeiro encontro, do primeiro beijo, da primeira música. Te lembrarei da primeira foto, da primeira briga, do primeiro “eu te amo”.

Não permita limitar-se pelas feridas do passado, abra os braços, os olhos, o coração, como quem sabe a hora certa de pegar o trem.

Não tenha medo do futuro, tenho tudo planejado. Afinal, não é disso também que se trata o amor?  Não deixar acabar, se reinventar.

Você não é essa WI-FI toda

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Conversava com uma amiga, quando ela me perguntou: “Será que ele pensa em mim?”

Decidi ser um bom amigo, fui claro e direto: “Infelizmente, não.”

O problema é que você não é essa WI-FI toda pra ele. É, algumas vezes nos enganamos.

Quem nunca quis acreditar que era importante pra alguém? Mas será que realmente é? Quando nosso cérebro quer acreditar em algo, fica difícil contrariá-lo. E como saber se aquela pessoa realmente se importa contigo? Sabendo.

É tipo WI-FI. Você vai no bar, no cinema, na casa dos amigos, e por mais que não vá usar, você pergunta: “Tem WI-FI?”. Sim, é intuitivo, é costume, é necessidade, mesmo sem ser. É exatamente assim que funciona com as pessoas, se você se importa, se importa, é instintivo.

O problema é quando queremos nos enganar. É que as vezes você não é o WI-FI daquela pessoa, mas talvez, apenas a 3G dela, lembrada em alguns casos, ligada quando necessária. E aí, a ilusão vem.

Aí, você fica horas cuidando o tempo que a pessoa entrou no Facebook, esperando ansiosamente que ela venha falar contigo. Passa noites em claro, se questionando: “será que está pensando em mim?”. Pergunta para suas amigas, para os seus colegas de trabalho e até para desconhecidos!  Você procura a resposta certa nas bocas erradas.

Se você tem duvidas se alguém se importa com você, é porque provavelmente esta pessoa não se importe. É que se importar é simples, é atitude. A pessoa vai telefonar, vai aparecer, vai perguntar de você quando falar com os seus amigos, vai lhe enviar uma mensagem, ela vai agir. Se importar é transparecer.

Quando você é importante para alguém, a pessoa dará um jeito de demonstrá-lo, e você vai saber, como quem sabe a sua cor favorita, você nunca precisou perguntar pra alguém ou pensar sobre isso, você simplesmente sabe que é azul (a minha é).

Então não desperdice o seu tempo e a sua energia pensando se você é importante para alguém, porque se a pessoa já usou a sua internet, o celular dela já salvou a senha do WI-FI, então ela sabe que só precisa ir até a sua casa para conectar.

Ela é maratonista

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Ela não para de correr, é um saco. Eu não aguento mais.  Odeio vê-la correr, gostaria que ela parasse, mas não consigo. Sempre que a vejo, ela está correndo, as vezes parece que ela vai parar, mas não, leve engano, só diminui o ritmo e logo continua.

Faço de tudo! Fico na sua frente, coloco barreiras, obstáculos, fecho a rua, lhe digo que é perigoso correr à noite, mas ela insiste, não me escuta, e continua correndo. Penso que a corrida é apenas um pretexto para fugir das preocupações, então carrego seus livros, procuro resolver seus problemas, tento animá-la quando está triste, lhe dou atenção quando precisa… Nada adianta. Ela continua correndo.

Desisto de sabotar a sua corrida e planejo correr junto. Sempre fui bom nas corridas, sou rápido demais, meu preparo físico é invejável e aprendi a controlar a minha respiração. Seleciono as melhores músicas que motivam, coloco a roupa mais confortável e levo a garrafa mais gelada para a corrida.

Acontece que quanto mais eu corro, mais rápido ela corre também. Passam dias, semanas, meses e eu continuo tentando correr ao lado, mas sempre estou correndo atrás.

E a cada corrida, eu desmotivo, eu canso.

Canso de correr atrás, canso de me sentir longe, canso de me ver cada vez mais distante.

É que quanto mais eu me esforço, mais difícil se torna.

Quanto mais perto eu estou, mais distante ela está.

Quanto mais empenho eu dou, menos a sua atenção eu tenho.

Quanto mais tempo eu dôo, mais curtos nossos momentos ficam.

Quem mandou gostar de uma maratonista?