O amor é uma escolha

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Sabe aquela pessoa que você idealiza? Aquela que você espera encontrar um dia, que não vai te magoar, nem te decepcionar, que vai fazer tudo certo? Sim, este é o seu grande amor.

Na verdade, é o seu amor platônico, e nada mal em ter um. Aliás, seria muito bom se existisse, seria fácil, seria simples, mas não seria amor. É que amor mesmo, bem clichê, é outra coisa. Se fosse fácil, ninguém nunca teria pensado em ir embora, e quem nunca pensou? Quem nunca se perguntou se todos os esforços valiam a pena? Ou ficou imaginando como seria se estivesse em outro lugar?

É que o amor é difícil pra caramba, é sobre doar-se, sobre entender o outro (e toda a sua complexidade) e a si mesmo, e ainda tentar encaixar tudo isso. Perceba que o amor é entender os detalhes, aliás, está tudo neles. É saber que uma parte do amor pode morrer a cada dia, com pequenas atitudes, e tentar mantê-lo ou reconquistá-lo no dia seguinte. Amar é sobre valorizar os pequenos momentos.

O amor é assim mesmo, meio imperfeito, meio desordenado, meio burro. Amar é amar nas indelicadezas. É se acostumar com aquele sorriso torto e com aquele cabelo bagunçado. É abraçar apertado, mesmo com aquele cheiro de suor no verão. É aguentar as birras de criança, e desculpar os inúmeros e previsíveis atrasos. É dar o braço a torcer naquelas brigas idiotas e sem sentido, e valorizar aquele ciúme bobo e desnecessário.  Amar é criar carinho pelo imperfeito.

É aquela companhia que dorme no meio do filme, que cansa no meio da festa quando você quer dançar a noite inteira. É aquele pote de sorvete napolitano que ela exige e depois, sem sentido algum, vê-la comer apenas a parte do morango. É aquele gosto musical que nunca encaixa. Enfim, amar é aprender a lidar com as diferenças e as estranhezas.

É comprar uma rosa em um dia inesperado, um chocolate na TPM, levá-la pra jantar apenas porque sim ou pagar o cinema quando ela estiver sem grana, amar é gastar muito. É fazer questão de beijá-la, mesmo quando ela está com gripe, com febre, com dor de garganta, com o que for, amar é ficar doente em doses homeopáticas. É perder o show que você queria tanto assistir, por acompanhá-la aos eventos familiares, ou por qualquer outro motivo relevante. Amar é não ligar para os déficits.

Porque amar o perfeito é muito fácil, amar nas horas boas é sossego, amar quando há mil motivos é espontâneo. Só que amor mesmo é consertar o quebrado, substituir as peças juntos e se reconhecer ao longo do caminho.

Poderia dizer que amar é conhecer a melhor e a pior face da outra pessoa e mesmo assim, decidir ficar. Sim, decidir. Porque talvez o amor, acima de tudo, seja uma escolha.

Ela está solteira, chega nela!

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Todo mundo fala sobre isso, os amigos solteiros comemoram, é o acontecimento do momento! São festas pra ir, pessoas que lhe apresentam, toneladas de convites para sair no seu celular e inúmeras pessoas chegando nela no bar. Você já sabe como funciona, afinal, ela está solteira.

O cenário é aquele mesmo, como um curta-metragem:

  1. Uma festa, e alguém conhecido dizendo: “Hey chega nela, ela ta solteira”.
  2. O cara chega, ela conversa e conversa, mas nada acontece
  3. “Fazida” – ouço por aí que a definem.

Mas é que não adianta chegar, ela não está solteira.

Pode parecer confuso, mas é isso mesmo. Quantos casais é possível ver que estão juntos, mas se comportam como se estivessem solteiros? Ou quantas pessoas estão solteiras, mas agem como se estivessem comprometidas?

É que estar solteiro/namorando não é uma questão de definição, e também não precisa de contratos verbais, ou qualquer tipo de demonstração pública, inclusive, nem é preciso ter duas pessoas para estar namorando: É um estado de espírito.

Ela está sozinha, mas não está solteira. Ela tem alguém no seu pensamento, pode ser aquela história antiga ou alguém recente que apareceu e que por algum motivo inexplicável, não a quer. Só sei que alguém aprisionou o seu coração, ele tem dono, e convenhamos, nada mais fiel do que um coração conquistado. Só existe uma chave, e está com ele.

É, não tem santo que distraia. Não tem papo legal que chame completamente sua atenção, não tem cara atraente que conquiste totalmente seu olhar, não tem acontecimento que a faça esquecer daquela pessoa.

E não é que ela não queira alguém pra dividir o travesseiro, passear no parque, comer o brigadeiro juntos, ou olhar aquele novo filme melodramático que saiu no cinema, ela quer sim. O problema é que ela não vai querer tudo isso com você, nem com aquele cara que chegou nela na festa e nem comigo, ela quer com aquela pessoa que não sai da cabeça dela.

É que metade dela é saudade e a outra metade é expectativa. Ela se diverte, mas fica inquieta, esperando algo acontecer, mas não acontece.  No Facebook é aquelas frases compartilhadas que descrevem seus anseios, ou suas vontades mais puras. Na festa, ela pega o celular a cada 20 minutos, (sim eu me presto para cronometrar), espera uma mensagem, uma ligação, algum sinal, mas nada. Ela conversa muito, dá risada, pega contatos, ela finge bem, mas tentar esconder uma paixão é como tentar esconder que está com pressão baixa: fica transparente no semblante.

E enquanto vejo todo mundo sendo persuadido com a frase: “hey, chega nela, ela está solteira”, eu prefiro poupar energia e fugir do roteiro. É que já vi esse filme, é um caso perdido, um quebra-cabeça montado, ela sabe exatamente o nome e endereço de quem ela quer tanto se entregar.

Parecer clínico

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Ela está diferente, algo mudou.

Não acredito que seja caso de internação, e ainda é cedo para pedir exames. Precisamos verificar os sintomas:

Não liga se acordou 30 minutos mais cedo do que deveria, ou 5 minutos depois do que precisava, sempre acorda cantando.

Pintou o cabelo, mudou as roupas e até a postura melhorou. Irreconhecível.

Anda sempre sorrindo, sintomas de felicidade constante. Parece que aquela aura nostálgica que ela carregava por tanto tempo, desapareceu. Invejável.

Caminha com calma, como quem aprecia o caminho, como quem não tem pressa de viver, ela só quer curtir o movimento.

Não tem mais meios sorrisos, é que não cabe nela tanta felicidade. Determinada e inspirada sempre resolve tudo, não há problema sem solução, não há motivos que a façam parar de sorrir. Parece que ela também tem sorte. Tudo dá certo, tudo se encaixa, e até quando é para errar, ela acerta.

Indícios que ela achou seu equilíbrio, como quem traz paz no coração, como quem não têm inimigos, nem medos e nem feridas. Ela se consertou, se torna feliz nos abraços, ao ver o movimento das nuvens e o pôr-do-sol, aprendeu a sentir alegria nas pequenas coisas. Ela criou seu próprio antídoto.

Parece que nada lhe falta, e nada lhe sobra, se sobra, é felicidade. O melhor remédio.

Elogia as pessoas, altruísta e conquistadora. É agradável tê-la por perto, por onde passa, espalha confiança. Aos poucos se torna engraçada, e assim, a felicidade dela transborda, é doada, em grandes doses compartilhada.

As vezes parece que ela não está no lugar, leve, meio tonta, sentencio princípios de sinusite, mas logo descarto, pela ausência de febre e dores no corpo. Eu, que já tive esses sintomas, desconfio que sejam sinais de paixão. É excesso de serotonina no organismo, alias, é overdose. Não cabe nela.

Clinicamente falando? Não sei se é amor próprio, ou um novo namorado, mas o diagnóstico, com certeza, é amor.

To namorando, não vai rolar

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Não é que eu não goste de você, claro que gosto. Mas no momento, não vai rolar.

Não é exclusividade sua, estou numa fase muito minha. To me namorando, to me descobrindo, e não foi fácil chegar até este ponto. Foi preciso me desfazer, me reinventar, jogar fora tudo e começar do zero, ficar apenas com a essência, com aquilo que há de mais puro em cada um de nós.

To me tornando aquela pessoa que eu sempre quis ser, mas nunca consegui, nunca tive tempo de saber quem eu era, o mundo externo sempre parecia mais interessante do que o meu, me distraía. Hoje eu me torno interessante, me presto atenção e fico, sem vontade de ir embora, e você sabe, não é fácil prender minha atenção.

Não é que eu não queira te convidar pra ir junto, mas gosto de sentar sozinho no bar pra ver o movimento, me convido pra comer um fondue, caminho até ficar cansado e tomo um sorvete, tenho tempo pra pensar e ver o mundo através dos meus olhos, em vez de querer o mundo olhando pra mim.

Sinto o vento que passa lentamente no meu rosto, olho pro céu e sinto que ele me pertence, o mundo é cada dia um pouquinho mais meu. Começo a me sentir parte do universo, como quem se enturma no colégio novo após mudar de cidade.

Aprendo a ser dono de mim mesmo, e a reconhecer o que acontece ao meu redor, identifico o que eu gosto e o que eu odeio, sem dualidades. Tomo partido, recuso convites que não me agradam ou até me interessam, mas aceito quando estou cansado demais pra eles. Aprendo a me afastar de pessoas que gostam pela metade, ou gostam com interesses, ou simplesmente estão ali, sem propósito algum. Tenho sentido convicção e segurança.

Não é que eu não queira te valorizar, mas antes disso, preciso aprender a fazê-lo, pois acredite, por mais que você ache que sim, eu não faria isso muito bem. É que meu mundo estava meio descolorido e desafinado, você sabe, problemas, trabalho, doenças, responsabilidades demais, suporte de menos. Por isso me esforço para trazer cor e harmonia, só assim terei algo bom para oferecer, entende?

To aprendendo a amar, é que eu nunca aprendi. Sentir o amor até se torna relativamente fácil com o tempo, mas saber amar, hoje em dia, pouca gente sabe. Parece que se trata de aceitar o universo alheio, de acrescentar e de apoio incondicional. Tenho procurado decifrar o enigma.

To aprendendo a ter paciência, a controlar minhas emoções, minha ansiedade e minha falta de bom senso. Percebo que se do tempo, das pessoas e do clima eu não tenho controle, das minhas forças e fraquezas internas, sim. To aprendendo a escutar e inclusive até a ficar calado. To focado, treinando todo dia, como quem se prepara para uma luta.

Só que ainda não cheguei naquele ponto que eu estou tanto me preparando, sabe? E mesmo depois de tudo isso, se você tiver paciência, se você não se afastar o suficiente e decidir ficar, terá o melhor de mim.

Se você chegar devagarinho, como quem não quer nada, chegaremos longe. Se você chegar perto, mas sem ultrapassar a linha, estaremos muito bem. É que hoje, eu to me namorando e, você sabe, fidelidade é tudo num relacionamento.

Precisamos conversar sobre porcentagens

100

Precisamos falar sobre se doar, sobre medos e insegurança. Sou direto e de cara já pergunto: você vai ser 100%?

E quando digo 100%, me refiro a tudo.

É que não adianta entrar em uma relação se você não for 100%. É preciso entender inclusive a vulnerabilidade que as redes sociais causam, a facilidade com que, hoje em dia, nos tornamos íntimos à alguém com dois dias de conversa no bate-papo. É preciso desconectar, e quando digo desconectar, não falo em quebrar o celular, ou excluir os aplicativos, falo em desistir daquelas inúmeras conversas no whats em que você diz “somos só amigos”, mas para seus amigos mais íntimos, você chama de “plano B”.

É que não serve mais ouvir apenas palavras bonitas, e depois ficar em silêncio, ou entrar naquela roleta de “hoje chamo ou não chamo”. Chega uma hora em que os joguinhos cansam, histórias duvidosas saturam e pessoas dissimuladas enjoam. Chega um momento em que ficamos sem paciência para atitudes hediondas. É preciso ser simples e verdadeiro.

Precisamos falar sobre transcendência, é que beijar pessoas bonitas pra aumentar o ego não tem mais graça, e como quem tem fome e bebe água, sexo sem compromisso nos finais de semana não sacia. Só palavras não conquistam, tampouco quando vêm acompanhadas de elogios superficiais e nem a estranha coincidência de ter a mesma banda favorita se torna algo comemorável (afinal, a banda é boa pra caramba mesmo).

Porque em algum momento, a ilusão de que a vida vai ficar mais fácil desaparece, como quem acredita em Papai Noel, mas nem por isso se deixa de comemorar o Natal ou dar presentes. É preciso viver sabendo lidar com a dificuldade. Não estou dizendo que será ruim ou infeliz, mas com certeza a vida vai se tornando difícil: são contas pra pagar, pessoas que teremos que cuidar na velhice, filhos para educar, doenças, mortes pré-anunciadas e outras inesperadas, e até planejar a janta de natal se tornará complicada, pelo simples fato de envolver várias pessoas que nem sempre se dão bem. A vida vai ficar complicada.

Por tudo isso, é preciso poupar a energia com pequenas aventuras, as distrações não atraem como antes e nem se tornam envolventes. É preciso não perder a oportunidade e nem o foco. É preciso buscar a simplicidade, encontrar a pureza, querer alguém que abrace o sonho, que compartilhe os planos, que se entrega de corpo e alma. É preciso estar com alguém que seja 100%.