São tempos de você

tempos

É, eu sei, a vida é aquela rodoviária em que as pessoas vêm e vão, e tudo bem com isso. O problema desta rodoviária, é que nela, quase ninguém fica, sim, quase ninguém mesmo. Felizmente, por algum motivo, a vida nos ensina muito com as partidas.

Já teve a desagradável ideia de parar para pensar quantas pessoas você achou que ficariam para sempre, ou pelo menos um pouco mais do que realmente ficaram? É que no fundo, a gente sempre acha, sempre torce, sempre espera um pouco mais. Mas a vida é isso mesmo, uma discografia inteira de partidas inesperadas.

Concordo, se está pensando que poderia haver um jeito mais fácil de aprender, mas a vida é isto, aquele jogo em que: ou você joga, ou você já sai perdendo. Então, por sobrevivência, se aprende a romper os laços, e assim, vamos desprendendo os nós que nos unem, de amigos, amores, colegas e até dos seriados que chegam ao seu capítulo final. Enfim, é aquela história da vida ser um poço de vínculos temporários.

O legal disso tudo, é que só no fim, a gente descobre quanto tempo dura. Por isso, gosto de dizer que compartilhamos com cada pessoa uma caixinha do tempo, bem imprevisível e misteriosa. Talvez, é pra ser assim mesmo, a incerteza do tempo e a ilusão de que ele não termina, dão o charme a estes vínculos provisórios.

Se idas machucam, vindas acariciam. E como quem vende o carro velho para comprar um novo, a cada partida, uma nova chegada. Parece circunstancial, mas por algum motivo, é assim mesmo: a cada perda, uma nova conquista. Então, a cada chegada, novas histórias, novas palavras, novas músicas, novos sentimentos, novos jeitos de lidar com o outro, e assim, a cada vinda, um novo aprendizado.

É por isso que eu fico feliz, porque são tempos de você. E quando é tempo de alguém, é assim mesmo, a pessoa, sem perceber, vai tomando conta. São os amigos que não param de falar nela, a família que pergunta sua ficha inteira nos almoços de domingo, é um convite no cinema, no bar, no parque, e assim, inseri-la na agenda semanal, meio sem querer, se torna inevitável. Ela é a novidade, o assunto do momento.

E assim, deixar de pronunciar o seu nome, pelo menos uma vez por dia, se torna improvável. Até quando tento me policiar, despretensiosamente, aquele som harmonioso do seu nome, vem sussurrar.  E pouco ligo, se é só um capítulo do meu livro, ou se a partida virá antes de mudar a estação. É que o meu imediatismo emocional não se importa com isso, ele é feliz e se basta com a sua presença.

E não é bonito pensar assim? Que entre tantos tempos que temos ao longo da vida, com tantas pessoas, hoje, você toma conta inteiramente, assume o protagonismo. Aos poucos, se torna o melhor seriado, a música mais agradável, o livro mais interessante de ler e a paisagem mais bonita de apreciar.

E a gente vai daquele jeito, meio que torcendo, meio que deixando ao léu, esperando que a caixinha do tempo ainda não termine. Para que eu possa sem muita pressa ir te descobrindo, como se fosse eterno, este pequeno espaço da minha vida que, carinhosamente, eu chamo de tempos de você.

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Ela não vai voltar

ela nao vai voltar

Opa, beleza? vamos bater um papo? De homem pra homem: cara, ela não vai voltar. É, aprenda a lidar com isso de uma vez por todas, até porque, já faz um tempinho né?

É preciso aceitar que o tempo muda as coisas, aliás, tudo muda. Os sentimentos, as pessoas, o calendário e aquele outdoor que eu gostava tanto de olhar, enquanto esperava a sinaleira ficar verde, sim, ela também muda. A vida é variável.

Se acostume com isso, é que você não vai ver mais aqueles olhos brilhando apaixonados por você, porque não existe mais paixão ali, nem vê-la rir dos seus erros bobos, que tanto te aliviava, porque acabou a sua graça pra ela. E não fique julgando-a por ela não te tratar de forma diferenciada, ou por não haver o mínimo carinho, onde já esteve o supra-sumo do amor.

É preciso ser homem, e aceitar as conseqüências dos seus atos. Na verdade, é preciso desenvolver maturidade para aprender a conviver com os resultados das suas escolhas. Então não fique correndo atrás, como se você tivesse algum direito pra fazê-lo. Não estraga as poucas e raras lembranças boas que ela ainda tem de você.

E não é porque ela fala contigo, esporadicamente, ou porque ela é educada com você, que ela quer voltar. Acontece que ela não vai perder novamente o seu precioso tempo com você, nem muito menos, perder a chance de conhecer alguém especial, que possa fazê-la feliz, como talvez, nunca foi.

É que já passou tempo suficiente para que ela pudesse perceber que, no mundo, existem muitas pessoas encantadoras por aí, pra ela se apaixonar. E, fazendo os cálculos, você não valeu a pena tanto assim.

Aliás, não se sinta tão orgulhoso por tê-la conquistado um dia, talvez você nem foi tudo isso pra ela, sabe?  É que nem sempre o último é o mais importante. Vai ver, teve outra pessoa que realmente mexeu com ela, deixou marcas, deixou saudade. Vai ver, você foi apenas uma história das tantas.

E tudo bem que você possa ter mudado, ou estar arrependido, ou queira do fundo do coração, fazer dar certo, mas para que as coisas aconteçam, é preciso que os dois lados estejam dispostos. De homem pra homem, convenhamos, ela nem precisa dizer que não está interessada em segundas chances com você.

É que pra ela, já acabou o seu tempo. Ela já quis, já se entregou, você teve todas as cartas do jogo. Então agora, deixe ir, e se realmente quiser demonstrar algo pra ela, demonstre carinho, na ausência. É que, no momento, a sua presença incomoda, e quando a insistência atrapalha, não é amor, é egoísmo, entende?

Então pegue as suas coisas que ainda ficaram, guarda numa caixa de sapatos e vá, deixe que, se for pra ser, um dia será. Mas assim, um conselho, de homem pra homem: Vire a página de vez, e se achar difícil, jogue o livro inteiro fora mesmo. É que a resposta pra você, diferente do resto, é invariável: ela não vai voltar.

Ela quer um amor calmo

amor calmo

Ela quer um amor calmo, leve, aqueles que vêm pra somar, aqueles compreensivos, de fala mansa e com cheiro de litoral, sabe?

Aquele que não julga, que não aponta defeitos. Ela só quer alguém que queira passar o tempo, e quando não der pra passar o tempo, que tudo fique bem também. Ela não quer dramas, jogos ou intrigas, ela não quer nada que não for real e estável. É que se não for um amor calmo o que você apresentar, ela nem vai se dar o incomodo de olhar pra você.

Acontece que ela já saturou desses amores de promessas, e desses amores de alta adrenalina, como se ela precisasse de teste para cardíaco. Hoje ela é um poço de calmaria, é sossego puro. Ela não quer grandes aventuras não, ela prefere uma boa conversa na cama, contando como foi o seu dia e fofocando as novidades das amigas e dos colegas de trabalho.

Ela está cansada de baladas, das mesmas pessoas e dos mesmos papos, já saturou disso. Ela valoriza muito mais seu tempo colocando os seriados da Netflix em dia, ou lendo um livro que alguém indicou, ela aprecia como ninguém a sua própria companhia. Nem pense em querer levá-la para o meio da folia, ela odeia carnaval, prefere muito mais um cinema, e depois, um amorzinho leve antes de dormir.

Ela quer um amor calmo, aquele que se entrega pra relação, de dentro pra fora, que não precisa muitas declarações públicas. Ela quer as coisas olho no olho. Ela não precisa milhões de fotos juntos para provar a sua felicidade para as pessoas, ela prefere uma boa surpresa que a emocione no silêncio à dois, aliás, ela ama surpresas.

Ela quer um amor parceiro, alguém que a entenda. Ela não quer alguém pra cuidar, como se fosse o filho dela, ou alguém que cuide dela, porque ela gosta de se sentir auto-suficiente. É que ela ama ser livre e viver por inteiro a sua independência. Aliás, ela gosta de se prender sim, mas por espontânea vontade.

É que ela não quer alguém que resolva seus problemas, ela aprendeu a se virar sozinha. Ela só quer alguém que sempre a abrace e lhe diga que vai dar tudo certo, que vai ficar tudo bem. Ela não vai atrapalhar o seu futebol no final de semana, nem o seu churrasco com os amigos nas quartas, aliás, ela vai adorar que você vá, porque ela vai querer fazer o mesmo com as suas amigas.

E por mais que não pareça, ela é meiga ao extremo em alguns momentos. Vai adorar que você ligue pra dar boa noite e sempre vai esperar que você ria junto, que é pra não fazê-la sentir-se idiota com seu humor estranho. É tão meiga, que vai criar apelidos pra você, sempre com aquele jeito excêntrico que ela tem de lidar com a vida.

Então, se você não for aquele cara, esqueça. Com ela é assim, ou você encaixa ou adeus. Ela vai bancar a durona e ir embora, quantas vezes forem necessárias, é que o coração dela tem muito tempo de estrada. Hoje ela quer calma porque já foi tempestade, porque sua vida já foi temporal e seu coração já cansou dessas histórias que parecem mais tornados do que brisas.

O amor que ela espera é como aquele pôr-do-sol no arpoador às 18 horas, quanto mais calmo, mais lindo, quanto mais silencioso, mais vontade de ficar. E hoje, ela não vai aceitar algo que seja menos do que isso.

Um café antes do amor

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Me vê um café, que seja um bem forte porque hoje é domingo. A ressaca está pesada, e não fosse pouco, o amor é algo difícil de lidar. Aliás, acho que todo mundo precisa de um café, antes de falar de amor.

Tenho buscado acalmar meu coração porque assim é mais fácil. Quando deixamos de gostar de alguém, nada nos atinge, parece que, fracos são os outros.  E assim tenho me resguardado, como quem tem medo de alturas, não entro no terraço.

Às vezes tento me convencer, sendo matemático. As retrospectivas das minhas histórias passadas não favorecem uma nova equação.  Nas casas de apostas, as probabilidades estão baixas, troquei o favoritismo pelo título de zebra, em outras palavras, joguei a responsabilidade no colo dos outros.

Mas aí você aparece meio que sem querer, e nem quer mesmo. Não quer nem saber do que eu passei, dos meus receios, ou das minhas teorias sobre ser sozinho, que alias, demorei muito pra criá-las. Não quer nem saber que pra mim, deixar o passado é nostálgico, como se mentisse pra mim mesmo tantas promessas, nem que eu me prefiro racional. É que apaixonado, eu fico meio bobo, alucinado.

Mas você surge com todo essa genialidade em fazer as coisas, sabe a hora certa de vir e ir embora, o ponto certo da saudade. A conversa é bacana, flui. Além de tudo, dança bem, quero dizer, você tem ritmo, conquista olhares.

E assim, gostar de você se torna fácil, me apaixonar parece questão de tempo, mas amar…ah, eu vou querer mais um café. Sinceramente, não sei em quanto tempo a gente aprende a amar, e eu que gosto de saber os momentos exatos das coisas, não consigo nem lembrar como ele surge. Me pergunto quantos cafés a gente precisa pra começar a amar?

Nestas horas eu costumo fugir, mas tudo bem, eu disse que viria pro café, e cá estamos. Me vê mais um, que a conversa pode demorar bastante. Afinal, nem te falei que meu programa favorito é ver o pôr-do-sol. Só me deixa fingir que atendo o telefone, que é pra mudar de assunto, é que ainda não to pronto pra falar de amor.

Onde paramos mesmo? Não importa, descobri que o bacana é não perguntar onde se começa, quando se para, nem como se termina. Vai ver que assim os dias se tornam mais interessantes, sem expectativas. Vai ver o bacana é marcar um encontro no final de semana, e ir riscando os dias no calendário até chegar à sexta-feira.

E tento divagar sobre outros temas, outros planos, mas não consigo. Fico empolgado, esperançoso, só consigo pensar que, talvez, você chegou na hora certa, pra adoçar o meu café.

Ela é puro amor

ela é puro amor

“É preciso viver o irreal” – É a frase dela.

Digo que é sua, porque ela sempre repete esta frase, e é assim que funciona na vida. Tudo que é rotineiro acaba tornando-se seu, pelo menos no imaginário individual. Se você beijar constantemente a mesma pessoa, for sempre ao mesmo bar, ou dirigir o mesmo carro alugado, tudo vira seu.

Gosto da frase dela, porque nela, você se perde. Ela é assim, intensa e determinada. Se ela decidir, você se tornará parte dela, do seu mundo. O irreal pra ela é fugir da rotina, do cotidiano, dos problemas e da lógica linear da vida. Ela não olha notícias na TV, nem lê o jornal, aliás, ela nem liga para o que acontece no mundo.

Não me entenda mal, ela não é egoísta. Ela se derrete pelas pessoas e é capaz de parar o carro no meio da rua para dar comida pra um cachorro. Com ela não tem tempo ruim, parece que no seu mundo tudo é leve, musical, são como dias de sol e vento fresco, harmoniza.

É assim mesmo, ela tem um universo paralelo. Não há política, doenças, rivalidade no futebol, preocupações e nem deveres sociais, tudo que ela faz é por impulso e por amor, senão nem faz, é a sua regra particular. É o seu mundo, inteiramente dela.

Ela é puro amor. É que a sua vida é cheia de emoções, conviver com ela é fazer parte de um filme de ação, é ficar sem fôlego, adrenalina pura. E quando ela ama, profundidade. Não importa quem seja o par, ela sempre vai inseri-lo no seu roteiro particular, é que ela é fã daqueles livros românticos que são transpassados a filmes, enfim, ela é puro sentimento.

Se ela te der uma chance, a ame, aproveite todas suas peculiaridades. É que fazer parte dos romances delas é privilégio, daquelas histórias que você não esquece jamais. É tanto que sufoca, e por ser tanto, que vale a pena. Parece que, em algum momento, no menor descuido, ela leva um pouco de você, e inevitavelmente, você se torna parte dela.

Ela gosta de intensidade, em tudo que faz. Ela escuta músicas depressivas quando está triste, e nos momentos de felicidade, dança como se estivesse no meio do carnaval. É que ela gosta de viver os momentos em sua plenitude. Lagrimas na tristeza e suspiros na alegria. Ela nasceu com o dom de sentir por inteiro, com todos os direitos possíveis. É que ela não tem interesse em aprender sobre desapego emocional.

E por ser puro amor, ninguém a entende. Dizem que ela é fraca, sentimental e inocente. As pessoas lhe aconselham a criar barreiras, ser mais racional e se entregar menos. São tantas respostas para perguntas que ela nunca fez, que a cansam, pois ela odeia ser cobrada. É que a pureza que leva no coração não se compra no supermercado, é exclusividade dela.

E não importa quantas vezes ela se machuque, ou sinta que é o fim do mundo, porque na manhã seguinte, ela sempre irá sorrir pra vida e continuará amando. É que ela percebeu que no seu mundo, o amor sempre será a melhor resposta, independente de qual for a pergunta.

Nunca esqueça de você

nao se esqueça

Esqueci.Um belo dia, me olhei no espelho e não me reconheci, mas quem nunca? É que às vezes acontece, você quer tanto agradar algumas pessoas que acaba mudando por elas, ou talvez nem seja o querer, mas o próprio convívio. Seja como for, você esquece de si mesmo.

Acontece que a gente vai sendo moldado, pincelado, como uma obra de arte, e nem percebe. Quando viu, já aconteceu, e estamos assim, meio longe de nós mesmos. O grande problema é a cortina de fumaça invisível, que não deixa perceber em que momento se perdeu o auto-reconhecimento.

É que se você se torna apenas uma metade, é dependente, e dependência nunca trouxe resultados bons. É preciso saber discernir dependência de necessidade. Precisar das pessoas é ótimo, mas depender é armadilha. Não me entenda mal, é muito bom quando se tem um mundo compartilhado, principalmente um universo a dois. É legal, é bonitinho, mas em excesso, uma hora pesa. E assim, inevitavelmente, alguns relacionamentos terminam, e me refiro a qualquer tipo de relação.

Se você se perde, no meio de um relacionamento, ainda é seguro, porque parece que você ainda tem uma corda para segurar. O problema é quando acaba e você está perdido, aí coloque o cinto, porque vai ficar pior. É não saber o que é certo, o que é errado. É ficar perdido, desesperado, e não saber de que ponto partir. É cair mil vezes, e a cada queda, se abalar mais.

E parece que nunca vai dar certo, que a maré nunca vai virar. É não saber pra onde ir, com quem conversar e até arrumar a porcaria do quarto, fica difícil. É perder a auto-estima, o respeito e o amor próprio. É entrar em parafuso, como quem entra numa piscina funda, sem saber nada. É querer amor, compreensão e admiração. Ficar carente, confuso e revoltado, é querer tudo e receber nada em troca. É esquecer que a vida não vai te dar aquilo que você não tem.

Então nessas horas, é preciso parar de correr. É ter paciência, desfrutar o momento insólito de estar no fundo do poço, saborear a própria derrota. Acontece que se você sempre ganha, aprende a conhecer o caminho das vitórias, mas quando você perde, o gosto da derrota é tão amargo, que você não esquece jamais.

É nessa hora que a conversão acontece. É nesse momento que você se acha, que os olhos se abrem e a maré vira. De uma hora pra outra, as coisas acontecem, as pessoas chegam, os sentimentos voltam e o cansaço passa. É quando o auto-desprezo acaba, a auto-sabotagem termina, e você finalmente lembra quem você era. É entender a lei de causa e efeito.

E para não repetir o erro, conheça-se a si mesmo, quantas vezes forem necessárias. É conversar com você mesmo, pelo menos uma vez por dia e se olhar no espelho toda manhã, só pra ter certeza que ainda está aí. E se tiver que esquecer algo, esqueça os compromissos, as obrigações e os dias. Esqueça os problemas, as feridas, as pessoas e os horários, mas nunca, sob hipótese alguma, esqueça de você.