Em qual esquina nos perdemos?

em qual esquina nos perdemos

Te vi naquela festa, você ali, parada, conversando com um cara. Bebendo cerveja, sendo que você sempre foi fã dos destilados, e ouvindo rock, que não era lá o seu estilo favorito. Mudanças sempre me chocam.

Para a minha sorte, não era a primeira vez que eu via isso, na verdade, eu já estou bem acostumado a te ver simplesmente como um retrato passado, como aquelas boas lembranças de verão que nunca voltam, mas que guardamos com carinho. Se possível, ainda enfeitamos a história um pouquinho mais… “não estava nublado não, estava um sol lindo”. Se é para te guardar como uma bela paisagem, deixa eu pintar as imperfeições que ficaram, com a minha imaginação.

Te vi como em outras vezes, mas hoje eu fiquei pensando…Onde nos perdemos? Em qual esquina da vida decidimos seguir caminhos diferentes? Eu sei que tínhamos problemas e que, realmente, a vontade de ir embora se tornou tão grande a ponto de desejar ganhar uma passagem para o outro lado do mundo sem volta, mas porque deixamos isso acontecer?

Comecei a lembrar como era fácil para nós resolver os problemas, era preciso apenas dez minutos de conversa e uns beijos antes de finalizar as frases que tudo se ajeitava. Era só esquecer os problemas e deitar na cama. Em que momento perdemos o nosso roteiro particular de estabelecer tréguas?

Lembro que, tudo bem, não tínhamos o melhor plano do mundo e que os sonhos não eram tão reais assim, como por exemplo, ficarmos ricos jogando na loteria e irmos morar nas Ilhas Cayman, mas era nosso plano bobo e os nossos sonhos estranhos. Eram nossos, tínhamos algo. Quando deixamos de querer as mesmas coisas? Quando desistimos de lutar um pelo outro e começamos a lutar pelas nossas individualidades?

Em que momento perdemos a coragem, de termos pulso firme e puxar o braço do outro e dizer: “fica!” ou “não podemos desistir”? Quando deixamos de usar e acreditar naquelas frases que tanto nos incentivavam: “vai dar certo” e “eu sempre estarei aqui”? Aliás, quando foi que elas se tornaram desnecessárias nas nossas vidas?

Quando foi que beijar pessoas desconhecidas se tornou mais gostoso do que o tão conhecido roteiro das nossas bocas? Em que momento abraçar desconhecidos deu mais alívio do que os nossos abraços tão bem acostumados ao calor dos nossos corações? Por que deixamos de acreditar que o amor era o mais importante, e que ele sempre salvaria os nossos dias?

Talvez as respostas estejam no futuro, ou talvez procurar sentido agora não faça sentido algum. E mesmo assim, sendo páginas viradas, volta e meia eu ainda procuro aquela esquina em que nos perdemos. Não por masoquismo ou por saudade. Pura reflexão ou aprendizado, pura nostalgia de quem um dia me fez sentir vontade de seguir o mesmo caminho e ficar ali.

Porque mesmo que, entre uma cerveja e outra, você já tenha esquecido quem somos, eu ainda lembro exatamente quem queríamos ser.

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