É para você, coração

canta coração

Confia em mim, canta coração.

“Se acalma que não é ela. Eu sei que parece, mas não é. Tá, ela é linda e a voz dela tem o som mais harmonioso que já ouvimos, mas vai por mim, eu sei o que estou dizendo.” Quem nunca conversou com o seu coração? Eu adoro ter mini diálogos com ele. Geralmente sou eu quem aconselha, mas ele já me ensinou coisas valiosas também.

“Aqui não podemos ficar… Aqui talvez seja o nosso lugar. Será que dá para levar a sério essas palavras? Eu não sei bem se ela tem certeza de mim… Você gosta mesmo dela coração?” Tivemos tantas divergências ao longo dos anos que não sei como hoje somos tão amigos assim.

O coração é bobo como um cachorro, não importa quantas vezes o decepcionemos, ele nunca desistirá de nós. Aprender a dialogar com ele é poder tomar posse dos nossos sentimentos, sem autoritarismo. É deixar a porta aberta para que saia conhecer o mundo, mas estar na janela sempre de olho nele.

Por mais que algumas pessoas sejam totalmente emocionais, não colocar a razão em algum ponto da história é assumir um risco muito grande para machucar esta criança boba e inocente. A gente se engana quando acha que o coração sabe de alguma coisa, ele não sabe de nada, coração só sabe sentir.

Eu espero que você entenda isso coração, que nem sempre te contrariei por mal. Amigo que já sofreu tanto e já chorou na calada da noite. Coração que já sorriu e me fez tão feliz, que acelera a alguns olhares e que se derrete todo em alguns abraços… Eu sei, te devo tantas desculpas e tantos obrigados, mas sempre fiz o que fiz, tentando te proteger e te fazer feliz.

Por isso agora canta coração. Canta sem medo, pois o amor chegou. Canta, que desta vez a certeza veio com a força de um furacão. Sorri coração, que o amor veio para ficar. Faz piadas da vida e cócegas em mim, me ajuda a caminhar sorrindo bobo enquanto escuto a música das tuas batidas pelas ruas.

Canta que o coração dela também sorri para nós. Deixa o jeito dela te envolver, igual me envolveu, que ela te mostra o quanto o seu afago é intenso igual a imensidão do mar. Dá-me a tua certeza coração, que eu já gosto muito dela aqui por perto.

Eu assumo a responsabilidade por inteiro, te ausento de qualquer culpa e negocio todas as exigências. Prometo que desta vez te deixo ser o mais bobo e verdadeiro possível. E se sofrer eu te cuido, te abraço e te amasso até sarar. Canta sem medo, que deste lado a empolgação já tomou conta.

Canta coração, a música que há tanto tempo eu compus para nós dois.

Seja reciprocidade, antes de reclamar da falta dela

reciprocidade

Perdi as contas de quantas vezes eu escutei que faltava reciprocidade no mundo. A primeira vez foi de uma moça que eu era muito afim. Então pensei que seria fácil conquistá-la, já que ela precisava de atenção na época e entendia, na teoria, a palavra reciprocidade. Fiz quase de tudo: jantas, cartões feitos a mão, flores e recados de bom dia, todos os dias, pontualmente às 8h. Não deu certo.

Foi então quando percebi que a nossa reciprocidade é seletiva. É algo que queremos ter de alguém que nós já gostamos. Queremos que sorriam aos nossos sorrisos. Inclusive, se não fazemos tanta questão de alguém, não queremos que essa pessoa faça tanta questão de nós. Pode ver: ter a atenção de alguém que não estamos interessados, muitas vezes atrapalha.

Não sei se hipocrisia é a palavra certa, mas muitas vezes a mesma pessoa que reclama de falta de atenção e de carinho é a mesma que recebe isso de alguém e não o valoriza. E como reclamamos. Antes de tudo, gostaria de deixar claro que ninguém é obrigado a corresponder aos sentimentos alheios. É exatamente por isso que esperar algo do outro não faz lá muito sentido.

Por isso, eu acredito que é melhor reclamar menos e preocupar-se mais com o tipo de retorno que damos àqueles que já têm um sentimento por nós. Não estou dizendo que você precisa amar alguém só porque este alguém disse que te ama ou porque demonstra gostar de você. Afinidade, admiração e atração física são pontos importantíssimos também.

O que eu quero dizer é que às vezes fechamos portas a pessoas que mereciam algo mais do que uma olhadinha pelo buraquinho da maçaneta. Às vezes se quer tanto de pessoas que não fizeram muita coisa para merecer tanta atenção e se deixa de lado àquelas que buscam a sua atenção o tempo todo. Ironicamente, eu poderia dizer exatamente o mesmo para estas pessoas.

Eu gosto muito da palavra reciprocidade quando ela é bem utilizada na prática. Quando nos esforçamos para estar por perto de quem gosta de nós, seja família, amigos ou pessoas desconhecidas que sem motivo algum parecem gostar muito da nossa companhia. Não sou adepto a insistir em entrar em casas com a porta fechada ou querer impor a minha presença em lugares que não sou convidado.

Quem gosta liga, chama, procura… E a gente não deveria ser tão leviano a estes sinais de atenção, principalmente em tempos de tantos discursos de egocentrismo e desapego. Pode ter certeza, alguém por aí está louco para lhe dar o que você procura, basta aceitar aquele encontro, responder aquela mensagem ou dar continuidade naquele assunto.

Perdemos muito tempo querendo agradar quem não quer ser agradado. Eu prefiro mil vezes estar com quem faz questão da minha companhia do que com alguém que não valoriza a minha presença e atenção como deveria. Seja chuva para quem quer se molhar, não para aqueles que estão sempre com o guarda-chuva aberto.

Não tenha medo de ser reciprocidade com o sentimento dos outros, ninguém morreu por tentar.

Ainda estamos tentando?

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Fiquei sabendo que você terminou mais um relacionamento. Eu já nem fico surpreso com isso. Aqui, deste lado, eu ando tentando preservar às pessoas, me mantendo afastado, sem criar muita intimidade. É que coração dos outros não é brinquedo, e ver as pessoas levando uma culpa que não é delas, faz sentir-me egoísta.

Eu já sei que é você. Provavelmente, você também já tenha percebido que sou eu. Por algum motivo, sempre estamos caindo no mesmo lugar, sempre os mesmos encontros e as mesmas coincidências. Até o horóscopo do dia fala sobre nós dois. Talvez a vida continue tentando nos juntar, mesmo que a gente insista em não ver esta possibilidade.

Ontem à noite, Carlinhos me lembrou o quanto combinávamos, e eu fiquei imaginando se você também olha para a lua toda vez que se lembra de mim?

Ontem à noite, fiquei pensando porque tentamos tanto nos encaixar em algumas pessoas, será que tudo isso é medo da solidão? Será que é teimosia nossa acreditar que não conseguimos ser capazes de colocar o amor na frente dos nossos caprichos? Eu mesmo nem sei por que estamos insistindo tanto em desistir de nós dois.

Eu sei, sou orgulhoso demais para dizer que sinto sua falta e você é orgulhosa demais para querer ouvir isso. Porém, queria te dizer que não sei se eu continuo torcendo tanto para que a gente dê certo com outras pessoas, sabe?

Sim, seria mais fácil se não fosse a gente. Se o amor viesse depois de nós, em um frasco novo, com uma nova historia, com um sorriso renovado e sem feridas, de preferência… Mas vai dizer isto para o coração? É engraçado como alguns sorrisos ficam para sempre aqui dentro.

Queria saber se você também se esforça tanto para encaixar no mundo dos outros. Imagina que até sushi eu tive que aprender a comer? É estranho ter que inventar um personagem para agradar o amor dos outros, quando os nossos corações aceitavam tão bem as nossas esquisitices. Aliás, seria muito bom poder desabafar isto com você.

Eu acho que éramos felizes. Aliás, seus olhos parecem dizer tanto sobre isso a cada encontro, pena que as nossas bocas decidiram nunca mais se falar. E assim vamos, tentamos encaixar o vazio que deixamos entre nós. Será que em alguma dessas madrugadas você já pensou que talvez a gente esteja perdendo tempo e fazendo os outros perderem o seu tempo também? Talvez o amor da sua vida seja eu.

De teimosia em teimosia, continuamos sendo janelas fechadas no coração do outro. Conhecendo-nos bem, provavelmente este silêncio dure uma vida inteira. Talvez um dia alguém nos aceite com estes nossos corações parcelados e a gente se conforme em ser a parte incompleta do coração de outra pessoa.

Eu sei, você diria que precisamos continuar tentando e que talvez um dia todo este esforço valha à pena. Sabe, até concordo, mas ainda assim fico aqui me perguntando…

Quantos corações ainda vamos machucar por tentar ser de quem a gente não é?

Não seremos mais um clichê

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Moço, quero que saiba que não seremos mais um clichê.

Eu quero um amor daqueles que me fazem acordar pensando na pessoa e ter vontade de ligar para dar boa noite antes de dormir. Desses que os dois fazem questão de lembrar o quanto são importantes na vida do outro, que não negam sentimentos e nem caricias, que são livres a ponto de prender-se a um coração.

Quero me imaginar passando a vida inteira com alguém, contemplando a solidão a dois na velhice. Quero receber flores e chocolates, sem motivo algum, em dias quaisquer. Quero massagens, cócegas e aquelas brincadeiras idiotas na fila do mercado. Talvez eu queira mesmo a leveza de um coração bobo.

Quero colocar uma aliança no dedo e trocar o nosso status de relacionamento no Facebook, só para receber inúmeros coraçãozinhos de pessoas que torcem por nós. Levar na lembrança todos os detalhes bobos do romantismo. Guardar uma música que conte a nossa história, tirar fotos no meio da praça, em cima da cama e dentro do carro. Quero beijar na chuva, no sol, na praia e no estádio. Não quero poupar os meus “te amo”.

Poder sair de mãos dadas e dormir juntos sempre que der vontade, sem medo de ser vistos ou negados por ninguém, passear feitos um abre-alas no carnaval. Quero alguém que se esforce para me ver quando o coração pedir, e que entenda a minha saudade quando estiver ausente. Brinquemos juntos, mas não com nossos sentimentos.

Alguém para compartilhar os segredos da cama e da vida, e à noite dormir de conchinha. Preparar o almoço juntos, a janta e a sobremesa. Preparar a casa, escolher os móveis e os nomes dos bichinhos e filhos que um dia virão. Imaginar a cada ano nossos planos de aposentadoria. Alguém para preparar uma vida inteira.

Quero todos os nuances do amor, e que nos vejam como incompreendidos mesmo, que nos julguem por isso. Sinceramente? Eu não ligo. Eu quero um amor verdadeiro, com todas as suas esquisitices e peculiaridades, com todos os seus rituais e suas infantilidades. Um amor ingênuo, com todas as singularidades que temos direito.

Então é isso, moço. Não quero um filme romântico transpassado para minha vida, quero mesmo é amor de verdade. Estar com alguém com vontade e coragem de amar. Um amor que não se esconde, não disfarce e não simule. Por isso, se vier comigo, seremos bravura e sinceridade. Assumir que queremos entregar-nos a um amor, com todas as letras? Eu chamo isso de maturidade.

Não seremos mais um clichê. Até porque, hoje em dia, clichê mesmo é não amar.